Melatonina ou Magnésio: Qual é Melhor para Dormir?
A dúvida que toda mulher com dificuldade para dormir já teve
Você está na farmácia, olhando para a prateleira de suplementos. De um lado, a melatonina — o “hormônio do sono” que todo mundo comenta. Do outro, o magnésio — o mineral que viralizou nas redes sociais como solução para relaxar e dormir. Qual escolher? Será que algum deles realmente funciona?
Essa é uma das perguntas mais frequentes que recebo no consultório. Mulheres entre 30 e 55 anos, sobrecarregadas com trabalho, casa, filhos e — muitas vezes — a menopausa se aproximando, relatam a mesma angústia: o corpo está exausto, mas a cabeça não desliga.
Por que isso importa para a sua saúde mental? O “corpo cansado, cabeça ligada” é a descrição clássica do que a psiquiatria chama de hiperarousal cognitivo — um estado de alerta elevado do sistema nervoso que é a marca registrada tanto da insônia quanto dos transtornos de ansiedade. Quando o cérebro não consegue desligar o “modo vigília”, o resultado não é apenas uma noite mal dormida: é um ciclo que, mês após mês, desgasta a saúde mental.
Um estudo publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine mostrou que pessoas com insônia crônica têm níveis de cortisol (o hormônio do estresse) significativamente mais elevados à noite do que pessoas que dormem bem (Vgontzas et al., 2001). Isso significa que, para muitas mulheres, o que parece “apenas” dificuldade para dormir é, na verdade, um sintoma de um sistema nervoso cronicamente sobrecarregado — e é aí que entram tanto a melatonina (para reajustar o relógio biológico desregulado pelo estresse) quanto o magnésio (para ajudar a acalmar o sistema nervoso hiperativado).
Este artigo vai direto ao ponto. Vamos comparar melatonina e magnésio com base na ciência mais atual, incluindo as diretrizes da ANVISA, para que você entenda exatamente o que cada um faz, quando usar (ou não usar) e qual é a melhor escolha para o seu caso.
Resumo para quem tem pressa
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– Melatonina: hormônio que regula o relógio biológico. Útil para jet lag, trabalho noturno e atraso da fase do sono. No Brasil, dose máxima autorizada pela ANVISA: 0,21 mg/dia.
– Magnésio: mineral que relaxa o sistema nervoso e os músculos. Pode ajudar se você tem deficiência ou tensão física/mental antes de dormir.
– Evidência científica: a melatonina tem indicações mais bem estabelecidas que o magnésio para o sono, mas nenhum dos dois é tratamento para insônia crônica.
– A decisão depende da causa: para desalinhamento do relógio biológico, melatonina. Para tensão e agitação, magnésio. E, em muitos casos, a melhor estratégia não envolve suplemento nenhum — mas sim mudanças de hábito.
– Sempre consulte um médico antes de iniciar qualquer suplementação.
1. O que é cada um e como age no sono?
Melatonina: o maestro do relógio biológico
A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pela glândula pineal, localizada no centro do cérebro. Sua produção aumenta quando a luz ambiente diminui — é o sinal químico que avisa ao corpo: “anoiteceu, prepare-se para dormir”. O pico de melatonina ocorre entre 2h e 4h da madrugada, e seus níveis caem progressivamente ao amanhecer (Ministério da Saúde, 2024).
A melatonina não “derruba” você como um sedativo. Ela não força o sono — ela ajusta o relógio biológico (ritmo circadiano), facilitando que o sono aconteça no horário certo.
Com o envelhecimento, a produção natural de melatonina diminui. Isso explica, em parte, por que pessoas acima de 50 anos frequentemente relatam sono mais leve e dificuldade para iniciar o descanso noturno.
A versão sintética da melatonina busca reproduzir esse mecanismo natural, sendo considerada um cronobiótico — substância que ajusta o ritmo biológico —, e não um hipnótico ou sedativo (UOL VivaBem, 2026).
Magnésio: o mineral do relaxamento
O magnésio é um mineral essencial — o quarto mais abundante no corpo humano. Ele participa de mais de 300 reações metabólicas e é indispensável para o funcionamento de músculos, nervos e ossos (BBC News Brasil, 2025).
Mas o que o magnésio tem a ver com o sono?
O magnésio atua em três frentes que influenciam diretamente a qualidade do descanso:
1. Regulação do GABA: o magnésio potencializa a ação do GABA, o principal neurotransmissor calmante do cérebro — o mesmo sistema ativado por medicamentos ansiolíticos, mas de forma natural e sutil.
2. Redução do cortisol: estudos sugerem que o magnésio pode ajudar a regular o hormônio do estresse, reduzindo a ativação do sistema nervoso simpático à noite.
3. Produção de serotonina e melatonina: o magnésio participa da conversão do triptofano em serotonina e, subsequentemente, em melatonina. Ou seja, o magnésio é “matéria-prima indireta” para a produção do hormônio do sono (UOL VivaBem, 2026).
Além disso, o magnésio contribui para o relaxamento muscular — daí sua fama para reduzir cãibras noturnas e aquela sensação de “pernas inquietas” que tanto atrapalha o sono.
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Title: “Melatonina vs Magnésio: Como Cada Um Age no Seu Sono”
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Seção 1: “O Problema” – ícone mulher na cama acordada → “73% das mulheres brasileiras entre 30-55 relatam dificuldade para dormir”
Seção 2: “Melatonina” – ícone relógio biológico → Hormônio | Regula ciclo sono-vigília | ANVISA: máx 0,21 mg/dia
Seção 3: “Magnésio” – ícone músculo relaxando → Mineral | Relaxa sistema nervoso + músculos | Participa de 300+ reações
Seção 4: “Quando Usar Qual” – fluxograma visual → Jet lag/turnos → Melatonina | Tensão/agitação → Magnésio | Insônia persistente → Consulte médico
Seção 5: “Alternativa Gratuita” – ícone sol + rotina → Higiene do sono: dormir/acordar mesmo horário, evitar telas, exposição ao sol matinal
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2. Evidências científicas: o que a ciência realmente comprova?
Melatonina: eficácia comprovada em situações específicas
A melatonina não é uma “bala de prata” para qualquer problema de sono — mas tem eficácia documentada em contextos bem delimitados:
- Jet lag: a melatonina é considerada tratamento de primeira linha. Uma meta-análise da Cochrane Collaboration confirmou que a suplementação reduz significativamente os sintomas após viagens que cruzam fusos horários.
- Trabalho em turnos: para pessoas que trabalham à noite e precisam dormir durante o dia, a melatonina ajuda a ajustar o ciclo sono-vigília.
- Síndrome do atraso de fase do sono: pessoas que naturalmente dormem e acordam muito tarde (as “corujas”) podem se beneficiar, pois a melatonina “adianta” o relógio biológico.
- Idosos: com a queda natural da produção de melatonina após os 50-60 anos, a suplementação pode reduzir o tempo para adormecer (UOL VivaBem, 2026).
- Pessoas cegas: sem o estímulo luminoso, o relógio biológico dessincroniza; a melatonina ajuda a restaurar o ciclo de 24 horas.
Uma revisão publicada em 2025 que avaliou 63 ensaios clínicos randomizados confirmou que a melatonina apresenta eficácia moderada na indução e manutenção do sono, com perfil de segurança superior ao dos medicamentos hipnóticos convencionais (LEV Journal, 2025).
Mas atenção: a melatonina não é eficaz para insônia causada por ansiedade, depressão, apneia do sono ou dor crônica. Para esses casos, tratar a causa de base é o caminho correto.
Magnésio: evidência promissora, mas ainda limitada
O magnésio está no centro de um debate científico interessante. Os mecanismos biológicos fazem sentido — como vimos, o mineral participa diretamente do sistema GABA e da produção de melatonina. Mas a pergunta crucial é: a suplementação realmente melhora o sono em quem não tem deficiência?
A revisão sistemática mais abrangente até o momento, publicada na revista Biological Trace Element Research em 2023, analisou estudos observacionais com mais de 7.500 participantes e encontrou uma associação consistente entre bons níveis de magnésio e sono de melhor qualidade — incluindo menor sonolência diurna, menor tempo para adormecer e maior duração do descanso noturno (PubMed, 2023).
Outro estudo robusto, publicado na revista Nutrients, acompanhou cerca de 1.500 pessoas durante cinco anos e observou que o maior consumo de magnésio na alimentação estava associado a sono mais reparador em mulheres, mas não em homens — um dado particularmente relevante para o nosso público.
Entretanto, especialistas em medicina do sono são cautelosos. A psicóloga do sono Nathalia Padilla, do Instituto de Medicina da Johns Hopkins University, afirma: “A literatura ainda é limitada. Não se concluiu completamente que o magnésio irá ajudar a melhorar o sono como se anuncia” (BBC News Brasil, 2025).
Um estudo recente com magnésio treonato (1.000 mg por 21 dias) mostrou melhora na qualidade do sono em participantes com distúrbios leves. Contudo, é importante saber que o magnésio treonato não é autorizado como suplemento alimentar no Brasil — a ANVISA determinou, em 2026, o recolhimento de produtos com essa forma do mineral (G1, 2026).
Conclusão sobre o magnésio: ele pode ajudar — especialmente se você tem deficiência do mineral, tensão muscular noturna ou agitação mental. Mas a evidência ainda não é forte o suficiente para recomendá-lo como tratamento de primeira linha para insônia.
3. Dosagens recomendadas e segurança — o que diz a ANVISA
Melatonina no Brasil: regras claras e restritivas
Esta é uma das informações mais importantes deste artigo. A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a melatonina como suplemento alimentar em outubro de 2021, com regras específicas (ANVISA, 2021):
| Regra ANVISA | Detalhe |
|—|—|
| Dose máxima diária | 0,21 mg (210 microgramas) |
| Idade mínima | 19 anos ou mais |
| Proibida para | Gestantes, lactantes e crianças |
| Categoria | Suplemento alimentar (não é medicamento) |
| Alegações proibidas | Não pode dizer que trata insônia, melhora o sono ou tem benefícios terapêuticos |
| Venda | Sem receita, com advertências obrigatórias no rótulo |
Ponto crítico: a dose de 0,21 mg aprovada no Brasil é muito menor do que a utilizada em estudos internacionais (que costumam usar de 0,5 mg a 5 mg). Isso significa que muitos suplementos importados ou comprados em sites estrangeiros estão em desacordo com a legislação brasileira e são considerados irregulares.
O Ministério da Saúde é taxativo: “Não há evidências científicas de que a suplementação traga benefícios à saúde. A melatonina não tem indicação aprovada no Brasil para tratamento de insônia, distúrbios do sono, ansiedade, humor ou qualquer outra condição” (Ministério da Saúde, 2024).
Magnésio: o que é seguro?
Diferentemente da melatonina, o magnésio é comercializado no Brasil como suplemento alimentar de vitaminas e minerais há décadas, com menos restrições. As formas autorizadas e comuns incluem:
| Forma de magnésio | Características |
|—|—|
| Bisglicinato de magnésio | Alta absorção, boa tolerância gastrointestinal, mais indicado para relaxamento e sono |
| Citrato de magnésio | Boa absorção, mas pode ter efeito laxativo em doses elevadas |
| Óxido de magnésio | Menor absorção, não ideal para sono, mais usado como laxante |
| Cloreto de magnésio | Boa absorção, disponível em pó ou cápsulas |
| Magnésio treonato | ❌ Não autorizado como suplemento no Brasil (ANVISA, 2026) |
Dosagem recomendada de magnésio elementar (referência da Dietary Reference Intakes — DRI):
- Mulheres adultas (19-30 anos): 310 mg/dia
- Mulheres adultas (31-50 anos): 320 mg/dia
- Mulheres adultas (51+ anos): 320 mg/dia
- Limite superior seguro via suplemento: 350 mg/dia de magnésio elementar (sem considerar o obtido pela alimentação)
Importante: o que aparece no rótulo (ex.: “bisglicinato de magnésio 1.000 mg”) não é a quantidade de magnésio elementar. Em geral, apenas 10-20% do composto corresponde ao magnésio puro. Verifique sempre na tabela nutricional a quantidade de magnésio elementar por dose (BBC News Brasil, 2025).
4. Comparação direta: quando usar qual?
A pergunta “melatonina ou magnésio — qual é melhor?” só pode ser respondida com outra pergunta: “Qual é a causa da sua dificuldade para dormir?”
| Situação | Melhor opção | Por quê |
|—|—|—|
| Jet lag ou viagem com mudança de fuso | Melatonina ✓ | Evidência sólida para ressincronizar o relógio biológico |
| Trabalho em turnos noturnos | Melatonina ✓ | Ajuda a ajustar o ciclo sono-vigília alterado |
| Você demora horas para pegar no sono, mas depois dorme bem | Melatonina ✓ | Pode indicar atraso de fase do sono (seu relógio está “atrasado”) |
| Estresse, ansiedade e mente acelerada à noite | Magnésio ✓ | Atua no GABA e reduz resposta ao estresse |
| Tensão muscular, cãibras ou pernas inquietas | Magnésio ✓ | Relaxamento muscular direto |
| Acorda várias vezes durante a noite | Ambos podem ajudar, mas… | …o mais importante é investigar a causa (apneia, menopausa, ansiedade?) |
| Dorme bem, mas acorda cansada | Nenhum dos dois | Pode indicar apneia do sono ou outro distúrbio — procure um médico |
| Insônia crônica (>3 meses, >3x/semana) | Nenhum dos dois como tratamento único | Tratamento de primeira linha: Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) |
Em termos simples:
A melatonina é como ajustar o ponteiro do relógio. O magnésio é como diminuir o volume do rádio que está tocando alto dentro da sua cabeça.
Se o seu problema é que seu corpo não “entende” que é hora de dormir → melatonina. Se o seu problema é que seu corpo está cansado mas sua mente não desacelera → magnésio provavelmente faz mais sentido (GQ Brasil, 2026).
5. Pode usar os dois juntos?
Sim, melatonina e magnésio podem ser usados em conjunto — e, inclusive, existem suplementos que combinam ambos. A razão é simples: eles atuam por vias complementares e não conflitantes.
O magnésio ajuda a criar as condições para o sono (relaxamento muscular e mental, redução do cortisol), enquanto a melatonina sinaliza ao cérebro que é o momento certo para dormir. Além disso, como vimos, o magnésio participa indiretamente da produção natural de melatonina — um déficit de magnésio pode comprometer a síntese do hormônio.
Um artigo do Tua Saúde, portal do Grupo Rede D’Or, relata que a combinação de magnésio e melatonina “favorece o sono profundo, reduz despertares noturnos e apoia o relaxamento do sistema nervoso” (Tua Saúde, 2026).
Mas com uma ressalva importante: no Brasil, a dose de melatonina em suplementos combinados também deve respeitar o limite de 0,21 mg/dia. Além disso, o uso combinado deve ser feito, idealmente, com orientação de um profissional de saúde — médico ou nutricionista.
6. Efeitos colaterais e contraindicações
Efeitos colaterais da melatonina
Embora considerada segura em curto prazo, a melatonina pode causar (Ministério da Saúde; Manual MSD):
- Comuns: dor de cabeça, tontura, sonolência diurna, náusea
- Neurológicos: tremores, enxaqueca
- Psicológicos: pesadelos, irritabilidade, alterações de humor
- Digestivos: náusea, vômito, dor abdominal
- Dermatológicos: erupções cutâneas
- Interações medicamentosas: pode potencializar o efeito de anticoagulantes (varfarina), benzodiazepínicos e anticonvulsivantes
Contraindicações absolutas (ANVISA):
- ❌ Gestantes
- ❌ Lactantes
- ❌ Crianças e adolescentes (<19 anos)
- ❌ Pessoas que dirigem ou operam máquinas pesadas (advertência obrigatória no rótulo)
Precauções: pessoas com epilepsia, asma, doenças autoimunes, transtornos de humor ou que usam medicamentos devem consultar um médico antes de usar.
Efeitos colaterais do magnésio
O magnésio é geralmente bem tolerado, mas:
- Comum (dose-dependente): diarreia, especialmente com citrato e óxido de magnésio
- Altas doses: náuseas, cólicas abdominais
- Raro, mas grave: hipermagnesemia em pessoas com insuficiência renal — pode causar queda perigosa da pressão arterial, arritmias e confusão mental
Contraindicações e precauções (BBC News Brasil, 2025):
- ❌ Insuficiência renal moderada a grave (o rim não consegue eliminar o excesso)
- ⚠️ Doenças cardiovasculares (monitorar, pois pode alterar ritmo cardíaco e pressão)
- ⚠️ Uso de antibióticos (o magnésio pode reduzir a absorção de alguns, como tetraciclinas)
- ⚠️ Uso de diuréticos (pode alterar os níveis de magnésio)
7. Alternativas naturais: o que funciona de verdade (e é de graça)
Antes de investir em suplementos, considere que a intervenção mais eficaz e com mais evidência científica para melhorar o sono não se compra em farmácia. Chama-se higiene do sono, e é recomendada como primeira linha de tratamento por todas as diretrizes internacionais de medicina do sono.
Higiene do sono: 7 medidas que fazem diferença real
1. Horários fixos para dormir e acordar — inclusive nos fins de semana. O cérebro “adora” rotina e ajusta a liberação de melatonina de acordo com seus hábitos (Hospital Israelita Albert Einstein).
2. Luz solar matinal — 15-20 minutos de exposição ao sol antes das 10h da manhã ajudam a calibrar o relógio biológico e aumentar a produção de melatonina à noite.
3. Desligue as telas 1-2 horas antes de dormir — a luz azul de celulares e computadores suprime a produção natural de melatonina em até 50% (Dr. Drauzio Varella).
4. Crie um ritual noturno — banho morno, leitura leve (livro físico, não tablet), música calma. O cérebro aprende a associar esses estímulos com “hora de dormir”.
5. Evite cafeína após as 14h — a meia-vida da cafeína no organismo é de 5-6 horas. Um café às 16h ainda terá metade da cafeína circulando às 22h.
6. Evite álcool à noite — embora o álcool dê sonolência inicial, ele fragmenta o sono e suprime o sono REM (a fase dos sonhos, essencial para a saúde mental).
7. Se não dormir em 20 minutos, levante-se — ficar na cama “tentando” dormir gera frustração e ansiedade. Vá para outro cômodo, faça algo relaxante com luz baixa, e só volte quando sentir sono.
Exercício físico e sono
A prática regular de atividade física é uma das intervenções mais eficazes para melhorar a qualidade do sono. O ideal é exercitar-se pela manhã ou até 3 horas antes de dormir — exercícios muito intensos próximo ao horário de deitar podem ter efeito estimulante em algumas pessoas (CNN Brasil).
Alimentação que favorece o sono
Alguns alimentos são fontes naturais de triptofano (precursor da serotonina e melatonina) e magnésio:
- Ricos em triptofano: banana, aveia, leite morno, castanhas, sementes de abóbora
- Ricos em magnésio: espinafre, amêndoas, sementes de girassol, feijão preto, abacate, chocolate amargo (>70%)
- Fontes naturais de melatonina: cereja, morango, uva, banana, abacaxi, tomate — em concentrações pequenas, mas presentes (ANVISA)
O nutricionista Ricardo Calle resume bem: “Em uma dieta equilibrada, temos ingestão adequada de magnésio na maior parte do tempo” (BBC News Brasil, 2025). Ou seja: antes de pensar em suplemento, avalie seu prato.
8. FAQ — Perguntas Frequentes
1. Posso tomar melatonina todo dia?
A melatonina é considerada segura para uso de curto prazo (semanas a alguns meses). Para uso prolongado, a orientação médica é essencial. No Brasil, a ANVISA não recomenda uso contínuo sem acompanhamento profissional.
2. Magnésio dá sono imediato?
Não. O magnésio não é um sedativo. Ele atua no relaxamento do sistema nervoso, mas seu efeito sobre o sono é indireto e gradual — pode levar dias ou semanas de uso consistente para que você perceba diferença.
3. Qual magnésio é melhor para dormir?
As evidências apontam o bisglicinato de magnésio como a forma mais indicada para sono, por combinar alta absorção com boa tolerância gastrointestinal. O magnésio treonato — apesar de promissor em estudos — não é autorizado como suplemento no Brasil.
4. Por que a dose de melatonina no Brasil é tão baixa (0,21 mg)?
A ANVISA baseou sua decisão na classificação da melatonina como suplemento alimentar — não como medicamento. Para suplementos, o princípio é a segurança absoluta em pessoas saudáveis, sem finalidade terapêutica. Doses maiores só seriam aprovadas mediante registro como medicamento, o que exigiria comprovação de eficácia para indicações específicas.
5. Estou na menopausa e não durmo. O que fazer?
A queda do estrogênio na perimenopausa e menopausa afeta diretamente o sono — por alterações hormonais, ondas de calor e maior vulnerabilidade à ansiedade. Nesse caso, tanto a melatonina quanto o magnésio podem oferecer alívio parcial, mas o ideal é uma abordagem integrada com médico ginecologista e, se necessário, psiquiatra especializado em sono.
Ângulo de saúde mental: A menopausa é também um período de maior vulnerabilidade para depressão e transtornos de ansiedade — e a insônia pode ser tanto sintoma quanto gatilho. Estudos mostram que mulheres na perimenopausa têm 2 a 4 vezes mais risco de desenvolver depressão maior, e a perturbação do sono é um dos fatores que mais contribuem para esse risco (Bromberger et al., Psychological Medicine, 2011). Por isso, tratar a insônia na menopausa é também uma estratégia de prevenção em saúde mental.
6. Melatonina vicia?
Não. A melatonina não causa dependência química como os benzodiazepínicos ou o zolpidem. No entanto, o uso crônico sem orientação pode criar dependência psicológica (“só durmo se tomar”) e mascarar a causa real da insônia.
7. Criança pode tomar melatonina ou magnésio para dormir?
Melatonina: não. A ANVISA proíbe o uso em menores de 19 anos. Para magnésio, a suplementação em crianças só deve ser feita com indicação e supervisão de pediatra ou nutricionista.
9. Conclusão: o veredito final
Depois de analisar a fundo a ciência disponível, a resposta não é um nome, mas um raciocínio clínico:
A melatonina é superior ao magnésio quando o problema é de “timing” — o relógio biológico está dessincronizado (jet lag, trabalho noturno, atraso de fase). O magnésio é superior quando o problema é de “tensão” — estresse acumulado, mente hiperativa, músculos tensos.
Mas o mais importante que você precisa levar deste artigo é: tanto a melatonina quanto o magnésio são ferramentas complementares, não soluções definitivas. Se a sua dificuldade para dormir está associada a sintomas como tristeza persistente, perda de interesse, crises de ansiedade, pensamentos acelerados ou sensação de esgotamento emocional — o que você precisa tratar não é (apenas) o sono, mas a saúde mental que está por trás dele. Converse com um psiquiatra ou psicólogo. O tratamento certo existe — e ele vai muito além da prateleira de suplementos.
Nenhum dos dois substitui as medidas fundamentais: rotina de sono consistente, exposição à luz natural, atividade física regular, redução de estimulantes e, sobretudo, buscar ajuda profissional quando a insônia se torna frequente e incapacitante.
Se você sofre de insônia persistente — mais de 3 noites por semana, por mais de 3 meses —, o tratamento baseado em evidências mais eficaz não é suplemento nenhum: é a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I), conduzida por psicólogo ou médico especializado.
Converse com um especialista
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica individualizada. Se você tem dificuldades persistentes para dormir, agende uma consulta para avaliarmos juntos a melhor abordagem para o seu caso.
Dr. Tiago Damasceno — CRM 19551/DF
Psiquiatra | Especialista em Medicina do Sono
📧 contato@mentetranquila.com.br
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Referências
1. Ministério da Saúde/ANVISA. Melatonina — Informações oficiais. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/melatonina. Acesso em: jul. 2026.
2. ANVISA. Anvisa autoriza melatonina na forma de suplemento alimentar. Publicado em 15/10/2021. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2021/anvisa-autoriza-a-melatonina-na-forma-de-suplemento-alimentar. Acesso em: jul. 2026.
3. UOL VivaBem. Melatonina ou magnésio: qual ajuda mais a melhorar o sono? Publicado em 06/06/2026. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2026/06/06/melatonina-ou-magnesio-qual-ajuda-mais-a-melhorar-o-sono.ghtm. Acesso em: jul. 2026.
4. BBC News Brasil. O magnésio realmente ajuda a dormir melhor? Publicado em 14/12/2025. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crk76xyy0pvo. Acesso em: jul. 2026.
5. Tua Saúde (Grupo Rede D’Or). Magnésio ou melatonina: qual é o melhor para dormir? Publicado em 24/02/2026. Disponível em: https://www.tuasaude.com/news/2026/02/24/magnesio-ou-melatonina-qual-e-o-melhor-para-dormir-e-melhorar-a-qualidade-do-sono. Acesso em: jul. 2026.
6. Tua Saúde (Grupo Rede D’Or). É assim que o magnésio e a melatonina, tomados em conjunto, afetam o nosso sono. Publicado em 16/05/2026. Disponível em: https://www.tuasaude.com/news/2026/05/16/e-assim-que-o-magnesio-e-a-melatonina-tomados-em-conjunto-afetam-o-nosso-sono. Acesso em: jul. 2026.
7. GQ Brasil. Magnésio ou melatonina: qual deles é melhor tomar para uma boa noite de sono? Publicado em jun. 2026. Disponível em: https://gq.globo.com/bem-estar/saude/noticia/2026/06/magnesio-ou-melatonina-qual-deles-e-melhor-para-sono.ghtml. Acesso em: jul. 2026.
8. Biological Trace Element Research. The Role of Magnesium in Sleep Health: a Systematic Review of Available Literature. 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35184264. Acesso em: jul. 2026.
9. G1. Anvisa proíbe venda e determina recolhimento de suplemento de magnésio treonato. Publicado em 01/06/2026. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/06/01/anvisa-proibe-venda-e-determina-recolhimento-de-suplemento-de-magnesio-treonato.ghtml. Acesso em: jul. 2026.
10. MSD Manual. Melatonina — Suplementos alimentares e vitaminas. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/assuntos-especiais/suplementos-alimentares-e-vitaminas/melatonina. Acesso em: jul. 2026.
11. LEV Journal. Evidências atuais sobre o uso da melatonina na insônia. 2025. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/LEV/article/view/10399. Acesso em: jul. 2026.
12. Hospital Israelita Albert Einstein. 10 passos para um sono tranquilo. Disponível em: https://www.einstein.br/n/vida-saudavel/dicas-para-dormir-melhor-confira-10-passos-para-um-sono-tranquilo. Acesso em: jul. 2026.
13. Dr. Drauzio Varella. Higiene do sono: conheça 11 dicas para dormir melhor. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/neurologia/higiene-do-sono-conheca-11-dicas-para-dormir-melhor. Acesso em: jul. 2026.
14. CNN Brasil. Higiene do sono: veja 7 dicas que vão te ajudar na hora de ir dormir. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/higiene-do-sono-veja-7-dicas-que-vao-te-ajudar-na-hora-de-ir-dormir. Acesso em: jul. 2026.
Este artigo foi revisado clinicamente e segue as diretrizes da ANVISA e do Ministério da Saúde. Última atualização: julho de 2026.
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